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 O que estudar?

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MensagemAssunto: O que estudar?   Sab Out 18, 2008 10:59 pm



Todos nós estamos ligados ao áudio por causa da música, com raras exceções. Quem tem um home studio, provavelmente montou aquele monstrinho eletrônico num canto da sala ou atravancou o quarto com a parafernália por amor à arte. Mesmo os bravos profissionais de áudio de empresas, plenários, auditórios, rádio, cinema, TV, transmissões esportivas, casas noturnas, quase todos tocam um instrumento ou, no mínimo, arranham lá o seu violãozinho ou uma percussão no pagode. E tem os que não tocam, mas, cá entre nós, queriam tocar. E até os que não gostam. Esses não sabem o que estão perdendo.

O produtor musical é, antes de tudo, um músico. Se for produzir música, como um CD ou uma trilha, vai realizar da forma mais completa o fazer musical. Reunir todas as idéias musicais de forma equilibrada num projeto, o que requer conhecimento de música.

Da mesma forma, o músico, o tempo todo, produz áudio. É fundamental um músico conhecer as propriedades do som e certas técnicas de utilização de recursos de áudio para ele conseguir soar adequadamente. Como, por exemplo, saber captar e equalizar o som de seu instrumento para que ele soe natural numa gravação ou num show. E, ainda hoje, com todos os programas circulando por aí, o áudio ainda é uma incógnita para a maioria dos músicos. Como a palavra ‘incógnita’ o é para os de pequeno vocabulário.

Mas é fundamental o operador e o produtor de áudio conhecerem música para que tenham musicalidade em seu som. Soa óbvio, mas, sem isso, o seu som é estranho. Na falta do ouvido desenvolvido pelo estudo e pelo hábito de ouvir música, alguns municiam-se de publicações diversas para servir de estofo de conhecimento. Hoje são os reis dos presets dos plug-ins. Perseguindo supostos “padrões” de operação dos equipamentos e programas, seu som nada tem de ‘padronizado’ ou “a favor da maré”, como esses provavelmente gostariam. Soa apenas desajeitado, sabe como é, tipo assim meio estranho? Pois é, a falta de conhecimento de áudio impede que tanto o operador e o produtor como também os músicos encontrem o seu som. E aí ninguém se comunica.

A mixagem é a conclusão natural do arranjo. Quando um arranjador concebe o que os músicos vão tocar, ele está ‘ouvindo’ o resultado final com o “ouvido interno”, uma entidade interior que os músicos podem desenvolver. Na cabeça dele ou no ouvido interno existe um arranjo pronto, soando em todas as suas características. Depois de gravado todo o material, qual é o sentido de dispensar o arranjador, mandá-lo para casa exatamente na hora da mixagem? Quem vai mixar? Alguém que nunca ouviu a música ou o arranjador?

“Arranjo bom, mixagem fácil!” Essa frase genial me foi dita pelo P.H. Castanheira, produtor musical da TV Globo. De fato, se você cria um arranjo imaginando como vai soar ‘o todo’ e não ‘as partes’ e consegue imaginar o som correto, basta conhecer o básico da mixagem para chegar ao seu som. Mas se um iniciante quer usar todos os sons à sua disposição e põe todo mundo dobrando todo mundo, chegaremos ao fim de uma cansativa mixagem com um bololô sonoro.

O mais importante é conhecer a prática e a teoria musical, saber ler, saber escrever música. Porque quem sabe ler e escrever, sabe ouvir.

Quem pretende seguir a carreira de produtor musical precisa conhecer música a fundo, além do áudio. De certa forma, este é o ‘maestro’ moderno. É ele quem faz a música acontecer, nem que seus “músicos” sejam programas de computador. Sua orquestra pode ser um monte de sintetizadores na tela do PC. Ou músicos e seus instrumentos à espera dos seus microfones. Não importa. Sem noções fundamentais de música, o trabalho fica insosso, o som insatisfatório.

O estudo da teoria musical só faz sentido para o estudante se for necessário para a compreensão de sua prática. Sem este vínculo direto com a prática, com o fazer musical, a teoria toma o rumo da indiferença. Se entrar por um ouvido, sai pelo outro.

Um grave equívoco: o brasileiro admira o autodidata e despreza, ao fazer isso, a importância da bagagem acumulada pelo conhecimento humano. Não perca tempo.

As disciplinas mais importantes no estudo da música são:

* Algum instrumento (qualquer um, o favorito do estudante, com a prática apoiada nos gêneros do repertório do instrumento mais aqueles de sua preferência)
* Um ou mais instrumentos harmônicos (teclado, piano, violão ou guitarra)
* A prática e a teoria musical (leitura, escrita, solfejo, tonalidades, modos de escalas, acordes, divisões rítmicas, ditado rítmico, melódico e harmônico)
* Harmonia popular (cifras, encadeamentos, campos harmônicos dos modos diatônicos, análise harmônica do repertório popular)
* Harmonia (vocal e instrumental, tonal e modal) mais noções de contraponto
* Arranjo e instrumentação
* Composição

Todos devemos sempre estudar e atualizar nossos conhecimentos em áudio, sem dúvida. Estudar áudio, sim, mas estudar principalmente música. E esta leva a vida toda.

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